Assuntos Relacionados à Queda de Cabelo

Nosso cabelo é muito mais do que simples fios que crescem no couro cabeludo.  Na verdade, ele está intimamente ligado à nossa identidade, autoestima e até mesmo à forma como nos expressamos ao mundo.  Ter cabelos volumosos e saudáveis é um desejo comum para a maioria das pessoas, mas a realidade é que a queda excessiva de cabelo afeta um número alarmante de brasileiros.

Quando olhamos para os dados de pesquisas nacionais, esse fenômeno não pode ser subestimado.  De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), cerca de 42 milhões de brasileiros sofrem com diferentes graus de queda de cabelo — um número que representa quase 20% da população brasileira.  A maioria dos casos de queda de cabelo no Brasil se deve à alopecia androgenética, um tipo de queda capilar hereditária e a forma mais prevalente no país.

Embora a queda de cabelo seja um problema que atinge ambos os sexos, as proporções variam significativamente.  Dados da International Society of Hair Restoration Surgery (ISHRS) mostram que, entre os pacientes que buscam tratamento para a queda de cabelo no Brasil, as mulheres correspondem a aproximadamente 40%, enquanto os homens representam o restante 60%.  Essa diferença fica ainda mais evidente quando analisamos as taxas por faixa etária.

Para as mulheres brasileiras, a probabilidade de sofrer com queda de cabelo aumenta consideravelmente com a idade.  Segundo o Archivos Brasileiros de Dermatologia, a incidência de alopecia em mulheres de 20 a 29 anos é de apenas 8%, mas salta para 32,2% em mulheres entre 60 e 75 anos.  Já entre os homens, embora não haja dados de prevalência etária tão detalhados, a tendência é que a queda apareça mais cedo, muitas vezes a partir da segunda década de vida, e se intensifique com o passar dos anos.

Além disso, existem tipos específicos de queda de cabelo que afetam preferencialmente as mulheres, como a alopecia fibrosante frontal — uma forma de alopecia cicatricial mais comum em mulheres pós-menopausa.  Uma pesquisa com 492 dermatólogos brasileiros revelou que 4,9% deles (24 profissionais) haviam diagnosticado esse tipo de alopecia, e todas as pacientes eram mulheres;  dentre essas, 45,8% estavam na pós-menopausa, um percentual bem superior ao 10,4% de mulheres pós-menopausa na população geral sem essa condição.

Diante de tão expressivos dados, é natural perguntar: o que realmente causa a queda excessiva de cabelo? 

Primeiro, é necessário entender que perder entre 50 e 100 fios de cabelo por dia faz parte do metabolismo normal do corpo e é algo comum. No entanto, se a quantidade de cabelos que caem ultrapassar muito essa faixa, é muito provável que existam problemas no organismo que precisam ser abordados. Na verdade, a queda de cabelo é um assunto extremamente complexo e pode estar intimamente ligado a uma variedade de fatores.

Quanto à idade, à medida que as pessoas envelhecem, diversas funções do corpo humano começam a declinar gradualmente, e a vitalidade dos folículos capilares não é exceção. Isso deixa o crescimento do cabelo mais lento e aumenta a quantidade de queda.

A condição do couro cabeludo também tem um impacto significativo: se ele não for saudável — com problemas como desequilíbrio na secreção de sebo, excessiva secura ou inflamação — irá prejudicar o ambiente de crescimento do cabelo e, consequentemente, levar à queda. A caspa não tratada pode parecer um problema menor, mas se persistir por muito tempo, colocará o couro cabeludo em um estado insalubre, interferindo no ciclo normal de crescimento do cabelo e tornando-o mais propenso a cair.

A tração nos folículos capilares também é um fator que não pode ser negligenciado. Por exemplo, amarrar o cabelo muito apertado por muito tempo ou puxá-lo com frequência danifica os folículos — ao longo do tempo, problemas de queda de cabelo surgem.

As deficiências nutricionais também desempenham um papel na causa da queda. Quando o corpo carece de proteínas, vitaminas e diversos micronutrientes, o cabelo não consegue obter suficientes "nutrientes" para manter seu crescimento, tornando-se frágil e propenso a cair.

As flutuações hormonais têm um impacto ainda mais significativo. Por exemplo, em fases especiais das mulheres, como gravidez, pós-parto ou menopausa, as alterações hormonais modificam o estado de crescimento do cabelo e levam ao aumento da queda.

O aumento dos níveis de estresse também não pode ser ignorado. Na vida acelerada de hoje, as pessoas estão frequentemente em estado de tensão e ansiedade. Essas emoções negativas perturbam o sistema endócrino do corpo e afetam indiretamente a saúde dos folículos capilares, resultando em uma grande quantidade de queda de cabelo. 

Além disso, existem reações inflamatórias a produtos cosméticos. O uso de produtos capilares inadequados, como shampoos e tintas para cabelo, pode causar reações alérgicas e outras inflamações no couro cabeludo, que também podem desencadear a queda de cabelo. Claro, a suscetibilidade genética é um fator incontrolável. Pessoas com histórico familiar de queda de cabelo costumam ser mais propensas a enfrentar problemas de queda. Para determinar com precisão a causa da própria queda de cabelo, é melhor consultar um médico profissional.

Felizmente, muitos fatores que contribuem para a queda de cabelo podem ser controlados ao mudar hábitos de vida. Se, após investigação, for constatado que o estresse é a principal causa da queda de cabelo, vale a pena tentar encontrar algumas maneiras eficazes de aliviar o estresse. Por exemplo, reserve um tempo todos os dias para meditar, relaxe o corpo e a mente em um ambiente tranquilo, dispense distrações e deixe o corpo sair do estado de tensão. Ou tome um banho confortável, alivie a fadiga corporal com água morna e relaxe os nervos tensos

Você também pode preparar um diário e anotar seus pensamentos internos e problemas.  Por meio dessa forma de desabafar, é possível aliviar a carga psicológica.

Se suspeitar que a queda de cabelo é causada por deficiências nutricionais, é preciso trabalhar na dieta.  Tente deixar sua alimentação mais diversificada e escolher alimentos mais coloridos, pois eles costumam ser ricos em vitaminas e minerais variados.  Peixes gordurosos ricos em ácidos graxos ômega-3 são uma excelente escolha — consumi-los regularmente pode fornecer suporte nutricional necessário para o seu cabelo.

Se achar que sua dieta diária não consegue atender aos requisitos nutricionais, também pode tentar adicionar alguns suplementos nutricionais quando necessário.

Se a queda de cabelo for causada por danos ao cabelo, é preciso prestar mais atenção ao cuidado diário com ele.  Tente reduzir a frequência de uso de ferramentas de modelagem com calor, como secadores e chapinhas, para evitar danos adicionais ao cabelo causados por altas temperaturas.

Além disso, é importante ajustar a frequência de lavagem do cabelo: não deve lavá-lo com muita frequência, pois isso fará com que ele perca a proteção de sebo necessário;  nem tampouco muito raramente, o que causará acúmulo de sujeira no couro cabeludo e afetará a saúde dos folículos capilares.  Certifique-se de limpar o cabelo com frequência adequada, para que ele fique em um ambiente de crescimento relativamente saudável.

Em conclusão, diante do problema da queda de cabelo, não só devemos entender suas causas, mas também melhorar ativamente a situação ao mudar nossos hábitos de vida. Proteger nosso cabelo é também proteger nossa confiança e imagem.

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